terça-feira, 8 de abril de 2008

Estreia

E este é o meu post de estreia, num canto que com muita honra integro...
Não vou mais tecer considerações sobre o alcance limitado de uma vida sem livros, porque acho que já aqui se escreveram belíssimos testemunhos a que um meu nada acrescentaria.

Não obstante as evoluções a que temos assistido, à desmaterialização que temos visto, ao aparecimento de audiobooks e e-books, para mim ler significa sempre e também sentir, cheirar, tocar o livro tradicional, em papel... No lazer e no trabalho. Já uso muita documentação de consulta (no trabalho) directamente no PC, mas o prazer do tacto, da memória visual das páginas existe, mantém-se e eu continuo a alimentá-la. Gosto de sublinhar as frases que me marcam, que me fazem pensar.

E porque ler é um prazer, vou só falar um pouco dos autores que me fazem vibrar mais, apesar de nos últimos anos terem sido muitas vezes preteridos a favor dos livros técnicos... Contingências...

A minha preferência vai de longe para a prosa.

Tal como a Luz, tenho uma predilecção pelo GGM, que me faz ter uma colecção idêntica e uma vontade constante de reler toda a sua obra (desejo ainda não totalmente concretizado, infelizmente)... O meu desgosto foi ter desistido da leitura de uma das suas obras em castelhano. Queria muito lê-lo no original, mas deparei-me com dificuldades que me fizeram sentir que não estava a conseguir chegar ao âmago do livro.
Vargas Llosa é o senhor que se segue, nos diversos registos que já li dele. A variedade das abordagens que já li nele faz-me sentir que enriqueci com a leitura das suas obras em muitos muitos aspectos.

De entre os nacionais, sou fã do Eça. Não canso de me espantar com a sua contemporaneidade.

Confesso-me pouco conhecedora da literatura portuguesa do Séc. XX e ainda menos da contemporânea. Já li alguns autores, mas confesso que não me identifico minimamente com os estilos com que me cruzei. Desisti, por ora, de tentar. É talvez excepção o Sousa Tavares, que tem tantos traços, a meu ver, em comum com os realistas, às vezes de uma forma exacerbada, parece-me, mas ainda assim que me agrada.

Deixo aqui uma sugestão, que não é de nenhum dos senhores que referi, mas que é um livro que me diverte, que me faz rir, que é também ele uma sátira muito actual, ao bom estilo de Ballester: A Crónica do Rei Pasmado...

9 comentários:

Cristina disse...

Bem-vinda.
Gostava de ler mais do Vargas Llosa. Só li um. Quais os que aconselhas?
E do Ballester. Já me tinhas falado nele... :)

Bjos

Cristina

Tânia disse...

Eh pá, gosto de tantos... Do Vargas Llosa há um que acho delicioso, pelo sentido de humor,"Pantaleão e as Visitadoras"... Outro que gostei mt foi a "Festa do Chibo", sobre a ditadura na República Dominicana, assunto que desconhecia por completo. Confesso que nunca li as Conversas na Catedral (comecei, mas desisti), mas é dos mais reputados. Qualquer um deles posso-te emprestar. Do Ballester adorei o Rei Pasmado, muito, e a Bela Adormecida vai à Escola.
Comecei a ler o "Eu Não Sou Eu, Evidentemente" e na altura não gostei muito. Tenho o D Juan em stand by, mas quando despachar as minhas aulas :P
Estes que te falei tenho todos, posso-te emprestar. Bjs

flores disse...

Bem-vinda, Tânia,

é anotar, é anotar, q esta gente é toda mto letrada. Haja (arrnaje-se) tempo para tanta e tão boa sugestão. :)

Cristina disse...

Boa. Depois emprestas-me? Fiquei curiosa com a festa do chibo. Já ouvi falar nele...

Bjos

Cristina

Tânia disse...

Esse eu gostei muito por 2 razões extra ao que gosto normalmente no Vargas Llosa: 1.º porque não conhecia a história da ditadura e achei muito muito engraçado, 2.ª porque não conhecia nem conheço o país e achei as descrições fabulosas... Eu, que nem gosto de praias e afins, fiquei cheia de vontade de conhecer Santo Domingo...
Tens de ler o do Pantaleão também... A história base, no fundo, é a de um militar super-rigoroso que é destacado para uma missão importantíssima: levar um conjunto de prostitutas junto do militares que andavam pela Amazónia, para, enfim, os ditos ficarem satisfeitos, dado que os fulanos andavam a violar as indígenas descontroladamente... É completamente surreal. Aqueles relatórios do Pantaleão para os seus superiores, a dar conta do andamento da operação... Demais... Bjs

Mar disse...

Além da Festa do Chibo e das Visitadoras, eu gostei muito da Guerra do Fim do Mundo, que é simplesmente fabuloso!

Gosto muito da escrita dele.

. disse...

Olá Tânia! Eu odiei aquele do Lituma nos Andes... Tu gostaste? E o Travessuras da Menina Má? Esse até gostei, sinceramente. Embora me tenha feito lembrar um bocadinho os romances da Bianca, em certos aspectos. Não é brilhante, mas tem o seu quê. Luz

Tânia disse...

A Lituma nos Andes nunca li, mas as Travessuras achei a sua graça. Não tem nada a ver com o tipo de romances dele e perfilho completamente a tua opinião. Apesar daquele tipo de desencontros e travessuras, achei-lhe graça. :)

SC disse...

Esse livro é mesmo delicioso!