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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Lido a correr

Lembram-se do filme Clube dos Poetas Mortos? Pois esta semana trouxe o livro emprestado de um dos meus alunos (que nunca ouviu falar do filme) e tive de o ler de uma assentada. Para recordar o filme mas também para ver como estava escrito. Apesar da pesquisa, nada consegui encontrar sobre o autor, N. H. Kleinbaum, nem sobre a edição (Os Livros do Cinema, colecção do Diário de Notícias de 2004). Penso que se trata de uma adaptação do guião do filme pois é bastante fiel ao que me lembro de ver. Gostei de o ler, apesar de não ser nada do outro mundo. Gostei de trazer à lembrança a perspectiva do professor diferente dos outros, que aconselha os alunos a serem não-conformistas, a experimentar vários pontos de vista, a não se contentarem com o estabelecido. Porque nem sempre me consigo lembrar de que o comodismo nem sempre nos traz tudo e que a poesia anda por aí, em tudo o que nos rodeia. Porque nem sempre aproveitamos o momento, pensando no que virá depois.

«mergulha pelos sonhos
ou um lema pode abater-te
(árvors são assuas raízes
e vento é vento)
confia no teu coração
nem que as marés se incendeiem
(e vive pelo amor
mesmo que as estrelas vivam ao contrário)
honra o passado
mas abraça o futuro
(e dança neste casamento
para espantares a tua morte)
não te importes com o mundo
os seus heróis ou vilões
(porque deus gosta de raparigas
do amanhã e da terra)


terça-feira, 15 de abril de 2008

Adolescentes

Este é bom para aqueles miúdos que já têm incutido o gosto pela leitura. No meu caso, funciona como livro de oferta, em particular naquela fase de: mas o que é que se oferecer a um miúdo de 12/13 anos?

É uma história deliciosa e divertida.



A família Yelnats tem uma longa tradição de... azar, por isso, não é assim tão surpreendente que Stanley, devido a um desafortunado erro judicial, acabe por ir passar uma «temporada» a uma casa de correcção para menores, chamada Camp Green Lake. Não havia lago - estava seco há mais de cem anos - e as instalações tinham pouco de campo verdejante. Como castigo, os rapazes tinham que cavar um enorme buraco por dia na dura e ressequida terra junto ao leito do inexistente lago. O guarda da casa de correcção defendia que aquele inútil trabalho ajudava a construir o carácter dos rapazes durante a «estadia» em Camp Green Lake, mas Stanley desconfiou de algo mais... Esta enigmática narrativa, onde podemos encontrar momentos de grande diversão e profunda seriedade, e que tão depressa se torna sombria como reluzente, revela claramente que a mão do destino - ou O Polegar de Deus - esteve em intenso trabalho no desenrolar da vida dos seus personagens desde há várias gerações. Um conto sublime sobre crime, castigo e redenção.

O Polegar de Deus, de Louis Sachar, Editorial Presença, 2000