Mostrar mensagens com a etiqueta Miguel Sousa Tavares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Miguel Sousa Tavares. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

No meu deserto, Miguel Sousa Tavares

Li este livro em Novembro passado, no meio de muito trabalho, no mês em que menos li; escrevi umas linhas que só agora para aqui passo. Como não consigo postar a foto da capa, deixo-vos o link com a sinopse.
É um livro na primeira pessoa com um tom encantatório, aliado à descoberta do deserto e da personalidade de uma mulher, acompanhante do narrador. O ponto de vista é sempre um pouco egocêntrico, mesmo arrogante e no topo de um narcisicmo um pouco (um pouco...) cansativo... Mesmo quando é a perspectiva da personagem feminina é através dele que nos chega e é um reflexo semelhante.
Gostei do tom poético, senti-me a fazer aquela viagem (adoro o deserto, diz-me que as minhas mais longínquas raízes são lá, especialmente na região da fronteira Tunísia-Argélia) mas nunca com aquela pessoa cheia de manias... É um livro pequeno que se lê rapidamente e nos transporta para o calor e a paisagem do deserto.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Rio das Flores

Terminei-o já hoje, devia dormir há horas, mas não o consegui largar.

Tal como o Equador este livro lê-se bem, com entusiasmo e sem perder o fio à meada. Linguagem leve e escorreita. Personagens bem desenhadas que conseguimos ver como se de um filme se tratasse. É um bom romance, uma estória interessante passada numa época que nos diz muito e da qual, a maior parte das vezes sabemos pouco. Da história recente de Portugal e Brasil aprendi bastante, muito embora por vezes essa contextualização histórica esteja um pouco forçada e não se encadeie harmoniosamente com o enredo, como seria desejável.

Se compararmos com o Equador é pior mas, ainda assim, recomendo.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Rio das Flores - Miguel Sousa Tavares

Título: Rio das Flores
Autor: Miguel Sousa Tavares
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
"Sevilha, 1915 - Vale do Paraíba, 1945: trinta anos da história do século XX correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil. Através da saga dos Ribera Flores, proprietários rurais alentejanos, somos transportados para os anos tumultuosos da primeira metade de um século marcado por ditaduras e confrontos sangrentos, onde o caminho que conduz à liberdade parece demasiado estreito e o preço a pagar demasiado alto. Entre o amor comum à terra que os viu nascer e o apelo pelo novo e desconhecido, entre os amores e desamores de uma vida e o confronto de ideias que os separam, dois irmãos seguem percursos diferentes, cada um deles buscando à sua maneira o lugar da coerência e da felicidade.
Rio das Flores resulta de um minucioso e exaustivo trabalho de pesquisa histórica, que serve de pano de fundo a um enredo de amores, paixões, apego à terra e às suas tradições e, simultaneamente, à vontade de mudar a ordem estabelecida das coisas.
Três gerações sucedem-se na mesma casa de família, tentando manter imutável o que a terra uniu, no meio da turbulência causada por décadas de paixões e ódios como o mundo nunca havia visto. No final, sobrevivem os que não se desviaram do seu caminho."

Comentário:
Mais uma vez, fui envolvida. Saboreio três quartos do livro, sem me precipitar, sem me apressar, com um esforço épico na narração histórica, para na recta final, sentar-me na estação de metro, e devorar as últimas páginas, deixando as carruagens passar perante mim...
O final já se avizinhava. Os indícios eram mais que muitos, nesta extensa obra. E cativou-me.
Em termos históricos, é uma época interessante, com o Estado Novo como fundo e o seu reflexo europeu. A descrição da guerra civil de Espanha, de uma violência inaudita, bem retratada por umas das personagens principais. A Segunda Guerra Mundial, com a suposta neutralidade portuguesa. O Brasil, na sua grandiosidade e diversidade. Algum exagero na narrativa histórica, com o propósito subtil de preencher as 600 páginas a que se propôs.
A estória propriamente dita, mais uma vez centrada em personagens masculinos, com mulheres tradicionais e lindas versus modernas e interessantes, está engraçada. Bem elaborada, consistente e possível de acontecer. As visões antagónicas dos irmãos, as suas diversas opções ao longo da vida, perante as adversidades, perante os sonhos, permitem visualizar as duas facções que se degladiaram ao longo do século XX.
Não andei à procura de erros, omissões ou incongruências históricas. Li um romance bom que peca por um excesso de narrativa histórica, por vezes sem lógica com o encadear da acção.

Gostei muito!

Retirado daqui. Desculpem lá mas é a maneira mais rápida de dar o meu contributo.