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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Quando Nietzsche Chorou

Título: Quando Nietzsche Chorou
Autor: Irvin D. Yalom
Editora: Saída de Emergência
Preço: 18,85 € (Wook)

"Friederich Nietzsche, o maior filósofo da Europa, está no limite de um desespero suicida, incapaz de encontrar cura para as insuportáveis enxaquecas que o afligem. Josef Breuer, médico distinto e um dos pais da Psicanálise, aceita tratar o filósofo com uma terapia nova e revolucionária: conversar com Nietzsche e, assim, tornar-se um detective na sua cabeça. Pelas ruas, cemitérios e casas de chá da Viena do sec. XIX, estes dois gigantes do seu tempo vão conhecer-se um ao outro e, fundamentalmente, conhecer-se a si próprios. E no final não é apenas Nietzsche que exorciza os seus fantasmas. Também Breuer encontra conforto naquelas sessões e descobre a razão dos seus próprios pesadelos, insónias e obsessões sexuais. Quando Nietzsche Chorou funde realidade e ficção, ambiente e suspense, para desvendar uma história superior sobre amor, redenção e o poder da amizade."

Gostei. Uma leitura interessante. Para quem gosta da terapia das palavras e do poder do diálogo. A origem da medicina do desespero e da aplicação de um método inovador que vai curar médico e paciente.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A Festa do Chibo

Título: A Festa do Chibo
Autor: Mario Vargas Llosa
Editora: D. Quixote

"Neste seu novo romance, o escritor peruano Mário Vargas Llosa debruça-se sobre a figura do ditador dominicano Rafael Trujillo, que esteve no poder durante 31 anos (foi deposto e assassinado numa conjura em 1961). Mas, como diz o autor em entrevista (Visão, 8/3/2001), este livro 'pretende transcender a figura de Trujillo para se transformar num romance sobre todas as ditaduras'. O título vem duma das alcunhas que o povo pôs a este ditador, que, como outros ditadores, cometeu as maiores atrocidades (conta-se que chegou a obrigar um dos seus súbditos a comer o próprio filho), mas também foi considerado uma espécie de semi-deus (e daí a sua perpetuação no poder durante tanto tempo). No romance, muito bem documentado, convergem três histórias: a de Urania Cabral (esta uma personagem inventada por Vargas Llosa 'porque não queria que o romance fosse contado apenas a partir do interior da ditadura', Visão, ibid.), uma mulher que regressa à República Dominicana nos anos 90, depois de uma ausência de mais de trinta anos, a dos conjurados de 61, e a das atrocidades de Trujillo." Daqui

No seguimento do espírito do Clube do Livro, a Tânia emprestou-me este livro. Gostei imenso. Algumas descrições finais até me deixaram mal-disposta tal o realismo. Recomendo. Bem como uma dose extra de sangue frio...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Rio das Flores

Terminei-o já hoje, devia dormir há horas, mas não o consegui largar.

Tal como o Equador este livro lê-se bem, com entusiasmo e sem perder o fio à meada. Linguagem leve e escorreita. Personagens bem desenhadas que conseguimos ver como se de um filme se tratasse. É um bom romance, uma estória interessante passada numa época que nos diz muito e da qual, a maior parte das vezes sabemos pouco. Da história recente de Portugal e Brasil aprendi bastante, muito embora por vezes essa contextualização histórica esteja um pouco forçada e não se encadeie harmoniosamente com o enredo, como seria desejável.

Se compararmos com o Equador é pior mas, ainda assim, recomendo.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Rio das Flores - Miguel Sousa Tavares

Título: Rio das Flores
Autor: Miguel Sousa Tavares
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
"Sevilha, 1915 - Vale do Paraíba, 1945: trinta anos da história do século XX correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil. Através da saga dos Ribera Flores, proprietários rurais alentejanos, somos transportados para os anos tumultuosos da primeira metade de um século marcado por ditaduras e confrontos sangrentos, onde o caminho que conduz à liberdade parece demasiado estreito e o preço a pagar demasiado alto. Entre o amor comum à terra que os viu nascer e o apelo pelo novo e desconhecido, entre os amores e desamores de uma vida e o confronto de ideias que os separam, dois irmãos seguem percursos diferentes, cada um deles buscando à sua maneira o lugar da coerência e da felicidade.
Rio das Flores resulta de um minucioso e exaustivo trabalho de pesquisa histórica, que serve de pano de fundo a um enredo de amores, paixões, apego à terra e às suas tradições e, simultaneamente, à vontade de mudar a ordem estabelecida das coisas.
Três gerações sucedem-se na mesma casa de família, tentando manter imutável o que a terra uniu, no meio da turbulência causada por décadas de paixões e ódios como o mundo nunca havia visto. No final, sobrevivem os que não se desviaram do seu caminho."

Comentário:
Mais uma vez, fui envolvida. Saboreio três quartos do livro, sem me precipitar, sem me apressar, com um esforço épico na narração histórica, para na recta final, sentar-me na estação de metro, e devorar as últimas páginas, deixando as carruagens passar perante mim...
O final já se avizinhava. Os indícios eram mais que muitos, nesta extensa obra. E cativou-me.
Em termos históricos, é uma época interessante, com o Estado Novo como fundo e o seu reflexo europeu. A descrição da guerra civil de Espanha, de uma violência inaudita, bem retratada por umas das personagens principais. A Segunda Guerra Mundial, com a suposta neutralidade portuguesa. O Brasil, na sua grandiosidade e diversidade. Algum exagero na narrativa histórica, com o propósito subtil de preencher as 600 páginas a que se propôs.
A estória propriamente dita, mais uma vez centrada em personagens masculinos, com mulheres tradicionais e lindas versus modernas e interessantes, está engraçada. Bem elaborada, consistente e possível de acontecer. As visões antagónicas dos irmãos, as suas diversas opções ao longo da vida, perante as adversidades, perante os sonhos, permitem visualizar as duas facções que se degladiaram ao longo do século XX.
Não andei à procura de erros, omissões ou incongruências históricas. Li um romance bom que peca por um excesso de narrativa histórica, por vezes sem lógica com o encadear da acção.

Gostei muito!

Retirado daqui. Desculpem lá mas é a maneira mais rápida de dar o meu contributo.