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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Alice Vieira

"A minha infância foi um corredor muito grande que rangia pela noite dentro, os termómetros com que me viam a febre, o sabor adocicado do Ceregumil que me faziam beber porque tinha vitaminas .

A minha infância foi não ter tido amigos da minha idade, não ter ido à escola, não ter esfolado os joelhos, não ter sujado sequer os bibes de folhos que me vestiam sobre os fatos .

A minha infância foram os amigos encontrados nas páginas dos livros, O Feiticeiro de Oz, As Aventuras de Tibicuera, O Romance da Raposa, O Menino Enjeitado, as Aventuras de Sandokan, do Lagardére, tantos, tantos. A minha infância foi também uma velha máquina de escrever, onde tentei juntar letras, fazer palavras, e que bonito era aquele som! A minha infância, acho que só começou quando entrei no Liceu Filipa de Lencastre e pela primeira vez brinquei com gente da minha idade. Da minha infância, acho que só gostei da máquina de escrever. Da minha infância, só isso guardo : está aqui, é nela que hoje escrevo. E o som ainda é o mais bonito de todos ."

Antologia Diferente: De que são feitos os sonhos?
Porto: Areal Editores, 1986, pág. 183



Alice Vieira nasceu em 1943 em Lisboa. É licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1958 iniciou a sua colaboração no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa e a partir de 1969 dedicou-se ao jornalismo profissional. Desde 1979 tem vindo a publicar regularmente livros tendo, actualmente editados na Caminho, cerca de três dezenas de títulos.

Recebeu em 1979, o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança com Rosa, Minha Irmã Rosa e, em 1983 com Este Rei que Eu Escolhi, o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil e em 1994 o Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra. Recentemente foi indicada pela Secção Portuguesa do IBBY (International Board on Books for Young People) como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen. Trata-se do mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens, atribuído a um autor vivo pelo conjunto da sua obra.

Alice Vieira é hoje uma das mais importantes escritoras portuguesas para jovens, tendo ganho grande projecção nacional e internacional. Várias das suas obras foram editadas no estrangeiro. As suas obras foram traduzidas para várias línguas, como o alemão, o búlgaro, o basco, o castelhano, o galego, o francês, o húngaro, o neerlandês, o russo e o servo-croata. Foi casada com o também jornalista e escritor Mário Castrim. Tem dois filhos, sendo a sua filha, Catarina Fonseca, escritora e jornalista.

Ver entrevista dada a alunos; interessantes informações sobre o livro do mês de Junho.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Livro de Junho: Rosa, minha irmã Rosa



O pessoal pronunciou-se e eu, que ando movida por cafeína, aqui vos deixo o sinal de partida: toca a ler e a deixar mensagens! É que tem sido giro! Deixo-vos duas das capas. Deixo-vos a da edição comemorativas dos 25 anos, mais cor-de-Rosa. Deixo-vos também um link, de uma blogueira que também fala de livros. Outro de uma das minhas co-workersaqui deste canto... Vamos lançar os temas: irmãos? Ciúmes de irmãos? Partilha? Pais ausentes? Pais distantes? Avós? Sigam, meninas!

Sinopse:
Mariana, filha única, tem dez anos quando Rosa nasce. Agora vai partilhar tudo com a irmã: o quarto, o tempo dos pais, o afecto da família — incluindo a Avó Elisa que desconfia do progresso, e a Tia Magda, que tem um dente de ouro, uma fala que mete medo e só gosta de estrelícias e antúrios. Mas pelo menos a recordação da Avó Lídia e a amizade de Rita ela não quer dividir com mais ninguém. Será que Rosa vai continuar a ser «uma intrusa»?

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para leitura autónoma e/ou com apoio do professor ou dos pais no 3.º ano de escolaridade

Nota: eu um dia hei-de falar do plano nacional de leitura...