Young women met in each other's houses, taking their babies and small children. It was expected that I should be friends with the wives of Frank's colleagues. There was a group of ten or so women. (...) One of the group has a new baby, and there she is with the little thing, its head helpless on her shoulder. Suddenly your own toddler looks enormous, even gross. You remember the sweet intimacy with a new baby. You might have said "I'm not going to have another baby yet - or perhaps not ever," but suddenly, holding the infant, you are "broody". "Oh, have a heart, I´m getting broody" - and you hastily hand the dangerous creature back to its mother who seems the most enviable person in the world, although she is misshapen from the birth and breast feeding. But it is too late. The hormones have received a jolt and you're off. Soon you will be announcing at a morning tea, "I'm pregnant!", "You're not! But you said... Oh, I'm jealous. When?".
Só que as nossas casas agora são virtuais e os chás são mais chats. Mas o efeito é parecido.
Doris Lessing, Under my skin, volume 1 da sua autobiografia. Gosto cada vez mais dela.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
A baby-blogosfera descrita antes de tempo
segunda-feira, 31 de março de 2008
O Sonho mais Doce, Doris Lessing
Foi a prenda de Natal do meu piolho, escolhido à pressa pelo pai, que sabia que eu tinha curiosidade acerca dela, depois do Nobel. Foi tão acusada de feminista e a sua obra tão criticada que fiquei logo com vontade de ler...
Demorei a entrar no livro. Nas primeiras páginas pareceu-me lento e com uma história sem grande interesse. Insisti porque a sinopse me deixava curiosa, eu gosto (quase) sempre de sagas familiares e afins. E gosto de histórias de mulheres.
Ainda bem que insisti. Adorei. Se o resto da obra for assim, o prémio foi mais do que merecido.
Deixo-vos o resumo para terem uma ideia:
Em O Sonho Mais Doce, o leitor é conduzido por uma saga familiar que atravessa três gerações, centrando-se o enredo, sobretudo, na década de 60, altura em que a casa de Júlia Lennox alberga uma grande quantidade de jovens, personificando o espírito de liberdade prevalecente na Inglaterra de então. Recuando até 1914, a autora apresenta-nos Philip Lennox e a sua noiva Júlia, tendo como pano de fundo a I Guerra Mundial. Do casamento entre ambos nasce um filho Johnny, que se tornará um comunista muito activo. No limiar da II Grande Guerra Johnny apaixona-se por Frances, camarada do partido. Frances e os dois fiilhos que nascem desta união, abandonados por Johnny, vão morar com Júlia, entretanto já viúva. Já na década de 60, Sylvia, fruto de uma ligação amorosa de Jhonnny, também encontra refúgio em casa de Júlia. Sylvia sofre de anorexia mas apesar da doença consegue formar-se em medicina e depois de uma temporada em África regressa a Londres com dois jovens órfãos. Um retrato de três mulheres-coragem – Júlia, Frances e Sylvia - que aborda temas característicos de várias épocas como a guerra fria, a guerra do Vietname, as drogas, o surgimento da Sida em África, a anorexia e a depressão, entre outras.
Ok, lendo este resumo o livro parece uma grande salada russa. Mas não é. E a Frances é uma bela personagem.