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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Capitães de Areia

A par com A Sombra do Vento, que também me acompanhou nestas férias, e para provar (se necessário fosse) que o clube nos traz coisas muito boas. Quando acabei o livro de Carlos Ruiz Zafón, ainda em transe, como a Ana, com a trama, entrei numa daquelas papelarias de «vão de escada» (nunca levo livros para as férias. Entro e compro num sítio qualquer.) a pensar que raio agora vou ler que possa «substituir» o primeiro.

E vi-o :) E já não o consegui largar mais.



É a história dos meninos abandonados da Bahia. Que vivem ao Deus-dará.

«Esta obra relata as peripécias dos meninos de rua da Bahia, na década de 30, tendo como pano de fundo a miséria do cais de S. Salvador e a sombra protectora da mãe de santo Aninha. Mostra o quotidiano do grupo e o seu modo de agir, de conviver, a sua luta por alimento, abrigo, dinheiro, em suma, pela sobrevivência. Procura demonstrar que a sociedade é que leva essas crianças ao crime e à marginalidade. É também a história dos amores de Pedro Bala e Dora, figura feminina frágil mas, ao mesmo tempo, protectora.
A violência, sempre presente no quotidiano destes jovens que vivem do roubo, tem o seu contraponto na amizade que os une e nos momentos em que, extasiados, ouvem, como qualquer criança, histórias de aventureiros, de homens do mar, de personagens heróicas e lendárias…»

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Terras do Sem Fim - Concílio Final

Está aberta a discussão. Contem lá o que é que acharam.

(gostaram, não, acharam muito panfletário (o livro foi acusado disso), quais as personagens preferidas, o que é que vos impressionou, acharam diferente dos outros livros que leram dele, ficaram com vontade de conhecer mais do autor e da Bahía?)

(para quem ainda não teve tempo de ler todo, não faz mal, a conversa fica aberta até nos apetecer, podem contar o que acharam em qualquer altura)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Livro do Mês - Abril

Ora bem, está aberta a primeira troca de impressões sobre o nosso livro do mês (Terras do Sem Fim, de Jorge Amado).

Ainda não li muito, um terço, mais ou menos. Estou a gostar bastante, mas é difícil eu não gostar de um livro escrito pelo Jorge Amado. Acho-o de uma violência extrema, aquela gente e aquela miséria entra-me pelos olhos e pelo corpo, inquieta-me e incomoda-me.

As personagens ainda não estão muito densificadas na fase em que vou, mas tenho imensa pena da pobre Ester no meio da selva. Dos seus pesadelos.

E vocês? Que contam?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Livro do Mês - Abril

E o grande vencedor é.... tchanananammmmmm:

Terras do Sem Fim, de Jorge Amado.

Ganhou com 10 votos contra 2 (grande derrota, Eça!), sendo que a Loira não votou em nenhum e a Fren não consegui perceber em quem votou!

Sugiro estabelecer o prazo de um mês para a leitura (ou seja, dia 2 de Maio sai o próximo livro do mês, se isto resultar). Daqui a umas duas semanas podemos trocar as primeiras impressões.

Sobre o autor:

Jorge Amado (1912-2001), nasceu no estado brasileiro da Bahia.
Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935. Militante comunista, foi obrigado a exilar-se na Argentina e no Uruguai entre 1941 e 1942, período em que fez longa viagem pela América Latina.
Em 1945, foi eleito membro da Assembléia Nacional Constituinte, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nesse mesmo ano, casou-se com Zélia Gattai (que também escreveu alguns livros interessantes).
Em 1947, ano do nascimento de João Jorge, primeiro filho do casal, o PCB foi declarado ilegal e seus membros perseguidos e presos. Jorge Amado teve que se exilar com a família na França, onde ficou até 1950, quando foi expulso. Entre 1950 e 1952, viveu na Checoslováquia, onde nasceu sua filha Paloma.
De volta ao Brasil, Jorge Amado afastou-se, em 1955, da militância política, sem, no entanto, deixar os quadros do Partido Comunista. Dedicou-se, a partir de então, inteiramente à literatura.
A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em fitas gravadas para cegos.

(É um dos meus escritores preferidos, autor de um dos livros-da-minha-vida, o absolutamente fabuloso Capitães da Areia; encontra-se muito mais informação em www.jorgeamado.org.br)


Sobre a obra:

Terras do Sem Fim é um romance de Jorge Amado publicado em 1943.
A obra é uma narrativa histórica sobre a luta dos coronéis do cacau pela posse das terras devolutas do Sul da Bahia. Trazendo trabalhadores, coronéis, prostitutas e aventureiros, um navio chega a Ilhéus, cidade pólo do universo cacaueiro. A mata de Sequeiro Grande é desbravada pelos conquistadores, porém parte dela permanece intacta, tornando-se alvo das disputas entre os coronéis. De um lado a família Badaró, cujo patriarca é o Sinhô Badaró, do outro lado a família de Horácio Silveira e sua esposa Éster. Cada facção vai agregando em torno de si outros coronéis, advogados e jagunços.
O livro constitui um resgate documental da história do mundo cacaueiro, a violência , os conflitos, os dramas humanos vividos durante a conquista da terra nas primeiras décadas do século XX.

Boa leitura!!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Terras do Sem Fim

Foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Altamente recomendável. Prefiro aliciar-vos com um excerto do que tecer grandes considerações a respeito da obra.

Enjoy!


Era uma vez três irmãs: Maria, Lúcia, Violeta, unidas nas correrias, unidas nas gargalhadas Lúcia, a das negras tranças; Violeta, a dos olhos mortos; Maria, a mais moça das três. Era uma vez três irmãs, unidas no seu destino.
Cortaram as tranças de Lúcia, cresceram seus seios redondos, suas coxas como colunas, morenas, cor de canela. Veio o patrão e a levou. Leito de cedro e penas, travesseiro, cobertores. Era uma vez três irmãs.
Violeta abriu os olhos. seus seios eram pontudos, grandes nádegas em flor, ondas no caminhar. Veio o feitor e a levou. Cama de ferro e de crina, lençois e a Virgem Maria. Era uma vez três irmãs.
Maria, a mais moça das três, de seios bem pequeninos, de ventre liso e macio. Veio o patrão, não a quis. Veio o feitor, não a levou. Por último veio Pedro, trabalhador da fazenda. Cama de couro de vaca, sem lençol, sem cobertor, nem de cedro, nem de penas. Maria com seu amor.
Era uma vez três irmás: Maria, Lúcia, Violeta, unidas nas gargalhadas, unidas nas correrias. Lúcia com seu patrão, Violeta com seu feitor e Maria com seu amor. Era uma vez três irmãs. diversas no seu destino.
Cresceram as tranças de Lúcia, caíram seus seios redondos, suas coxas como colunas, marcadas de roxas marcas. Num auto pela estrada cadê o patrão que se foi? Levou a cama de cedro, travesseiros, cobertores. Era uma vez três irmãs.
Fechou os olhos Violeta com medo de olhar em torno; seus seios bambos de pele, um filho pra amamentar. No seu cavalo alazão, o feitor partiu um dia. nunca mais há-de voltar. Cama de ferro se foi. Era uma vez três irmãs.
Maria, a mais moça das três, foi com seu homem pró campo, prás plantações de cacau. Voltou do campo, era a mais velha das três. Pedro partiu urn dia, não era patrão nem feitor. partiu num pobre caixão, deixou a cama de couro e Maria sem seu amor. Era uma vez três irmãs.
Cadê as tranças de Lucia, os seios de Violeca, cadê o amor de Maria?
Era uma vez três irmãs numa casa de putas pobres. Unidas no sofrimento, unidas no desespero, Maria, Lúcia, Violeta, unidas no seu destino.


in Terras do Sem Fim, Jorge Amado
(Edição Livros do Brasil).