Agora somos 4...
Tempo para livros ainda há pouco, mas em breve isso vai mudar.
Tenho um menino lindo, que só come e dorme.
Mãe e filho estão óptimos.
E este é o meu post de estreia, num canto que com muita honra integro...
Não vou mais tecer considerações sobre o alcance limitado de uma vida sem livros, porque acho que já aqui se escreveram belíssimos testemunhos a que um meu nada acrescentaria.
Não obstante as evoluções a que temos assistido, à desmaterialização que temos visto, ao aparecimento de audiobooks e e-books, para mim ler significa sempre e também sentir, cheirar, tocar o livro tradicional, em papel... No lazer e no trabalho. Já uso muita documentação de consulta (no trabalho) directamente no PC, mas o prazer do tacto, da memória visual das páginas existe, mantém-se e eu continuo a alimentá-la. Gosto de sublinhar as frases que me marcam, que me fazem pensar.
E porque ler é um prazer, vou só falar um pouco dos autores que me fazem vibrar mais, apesar de nos últimos anos terem sido muitas vezes preteridos a favor dos livros técnicos... Contingências...
A minha preferência vai de longe para a prosa.
Tal como a Luz, tenho uma predilecção pelo GGM, que me faz ter uma colecção idêntica e uma vontade constante de reler toda a sua obra (desejo ainda não totalmente concretizado, infelizmente)... O meu desgosto foi ter desistido da leitura de uma das suas obras em castelhano. Queria muito lê-lo no original, mas deparei-me com dificuldades que me fizeram sentir que não estava a conseguir chegar ao âmago do livro.
Vargas Llosa é o senhor que se segue, nos diversos registos que já li dele. A variedade das abordagens que já li nele faz-me sentir que enriqueci com a leitura das suas obras em muitos muitos aspectos.
De entre os nacionais, sou fã do Eça. Não canso de me espantar com a sua contemporaneidade.
Confesso-me pouco conhecedora da literatura portuguesa do Séc. XX e ainda menos da contemporânea. Já li alguns autores, mas confesso que não me identifico minimamente com os estilos com que me cruzei. Desisti, por ora, de tentar. É talvez excepção o Sousa Tavares, que tem tantos traços, a meu ver, em comum com os realistas, às vezes de uma forma exacerbada, parece-me, mas ainda assim que me agrada.
Deixo aqui uma sugestão, que não é de nenhum dos senhores que referi, mas que é um livro que me diverte, que me faz rir, que é também ele uma sátira muito actual, ao bom estilo de Ballester: A Crónica do Rei Pasmado... 
Queria ver se conseguíamos pôr em marcha uma das intenções iniciais deste blog, a partilha de opiniões e sentimentos sobre um mesmo livro.
A Flores colocou o problema de não querer mexer com o bolso de ninguém, mas isso é mais ou menos inevitável, acho que não conseguiremos encontrar um livro que todas tenham em casa. As bibliotecas públicas não se inventaram para outra coisa. Além de que não é obrigatório participar, ou participar sempre.
Por isso, gostava, pelo menos, de experimentar, a ver se resulta.Vou dar duas sugestões de livros para escolhermos, votem num deles ou sugiram outros. Depois, acho que podemos dar um período de um mês para a leitura, fazendo um post mais ou menos a meio para trocar impressões e outro no fim para as opiniões finais. Que me dizem?
As minhas sugestões:
Jorge Amado, Terras do Sem Fim (na verdade, é da Loira, mas fiquei cheia de vontade de ler)
Eça, O Crime do Padre Amaro (estou para reler há séculos e deve ser fácil requisitar, para quem não tiver).